Arquivo de Agosto, 2007

21
Ago
07

INCOR SOB SUSPEITA

Diretor

O Instituto do Coração (Incor) e sua mantenedora, a Fundação Zerbini, estão sendo acusados de fraudes pelo Ministério Público de São Paulo, a Polícia Cívil, o Ministério Público Federal em Brasília e o Tribunal de Contas da União. A atual administração acusa os antigos diretores, entre eles, o ex-presidente da fundação, Mario Gorla, de realizarem contratos fraudulentos e possuírem ligações com empresas em paraísos fiscais.

20
Ago
07

Grupo de extermínio assusta a capital


Dados das corregedorias das policias Civil e Militar comprovam o envolvimento de 19 policias militares em grupo de extermínio, entre 2004 e 2006. Nos últimos dias, dois casos, um no Calabetão e outro no Bairro da Paz, chamaram a atenção das autoridades. A maioria das  vítimias são pobres, negros, e possuem família, residência, trabalham e estudam.

17
Ago
07

A vida e Eu

“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza…”. Quem ouve esta música até pensa que Salvador é esta maravilha toda. Esta cidade que é amada por baianos e turistas possue diferenças culturais, arquitetônicas, demográficas, econômicas e outras mais. Não que eu seja uma moradora que não desfrute do que há de melhor. Moro num país tropical, mas abençoado pelas ladeiras. Vivo numa cidade onde nasceu o axé e muitos ídolos da MPB, mas acordo ouvindo o arrocha.

Vivo todos os dias a subir e descer ladeiras. Não tenho como desviar, elas fazem parte do meu cotidiano. Mas também quem mandou morar em FGR? Se vou trabalhar desço uma, quando volto para meu descanso, subo outra. Não acho nada comovente descer a ladeira do Cacau em pleno dia de chuva. E meu medo é maior ainda quando dou de cara com a paisagem que ela me oferece ao raiar do dia. Não é a imagem mais bonita que já vi. O que posso observar lá em baixo são inúmeros casebres, muitos deles em locais de risco. Mas distante posso observar o bairro dos Alagados e, até que enfim algo bonito de se ver: a Igreja do Senhro do Bonfim. Para meu dia começar tenho sempre que pegar a avenida San Martim engarrafada. Isso já faz parte do meu dia-a-dia. Juro que isso me deixa estressada, mas fazer o que? Aqui o trânsito é péssimo!

Enquanto o trânsito está totalmente parado observo o que há em minha volta. A rua principal é quase toda comercial, sendo as de fundo residencial. Mesmo com o trânsito inquieto e todo barulho das buzinas tem algo que me chama atenção.

Quase todos os dias, neste percurso, uma senhora, que aparenta ter 55 anos, entra pela porta da frente do ônibus. ”Bom dia motorista! Bom dia cobrador! Bom dia senhores passageiros! Hoje eu tenho aqui para vocês copo escolar, caneta quatro cores, tesourinha, grafite, ponta de grafite, pata-pata e cortador de unhas. Tenho também quinze agulhas por R$ 1,00, porta cartão de gratuidade, agulha de desentupir fogão, tudo por apenas R$1,00 cada”. Quase nunca consegue vender algo. O ônibus segue seu percurso e mais adiante ela pede para descer. A fala dela já está guardada em meu subconsciente.

Chegamos no Largo do Retiro. Meus ouvidos ainda não se recuperaram da voz fina e aguda da senhora que vende quase tudo por um real, e chegam os meninos da casa de recuperação Manásseis. Já decorei o texto massante deles também. Todos são ex-drogados, e como sempre, vieram de outros estados.

Agora o ônibus já está cheio e um zum, zum, zum toma conta do ar. Depois de 1 hora de percurso chego à Paralela. Tchau motorista! Falta pouco para chegar ao meu destino. Trabalho, estudo e volto para casa.

De volta a San Martim, a mesma avenida que ao amanhecer serve de caminho para mim e centenas de pessoas que vão e que vem em direção à Paralela, me surpreendo. Agora o que vejo nada mais é que poucos carros de volta para casa. Subo a ladeira que me leva para o alto de “FGR”. Saí de lá às 7h da manhã quando o bairro começava a despertar, as lojas a abrir e as pessoas a circular. Às 23h30 o cenário é outro. Tudo calmo e meio escuro. Já estou em casa. Estou cansada. Boa noite!